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segunda-feira, 9 de março de 2009

Cavaco, aquela máquina (parada e enferrujada)

Cavaco anda por aí há três anos a passear por um país que, ao ouvirmos o que ele diz sobre Portugal, devia desconhecer profundamente. Anda por aí a apregoar aos ventos, palavrinhas bonitas e de circunstância vindas de uma figura que betonizou o país, com alguns sucessos mas muitos insucessos também, que desprezou o cidadão, que desprezou o país profundo, como agora se verifica. E é isso o que mais me enoja. Cavaco anda a aproveitar, e acho muito bem que o faça, o seu mandato de Presidente da República para conhecer melhor o nosso país, ir para fora, cá dentro. E faz muito bem, pois o nosso país tem recantos de uma grande poesia para descobrir. Mas essa hipocrisia que encerra o andar por aí a dizer que se podia ter feito isto ou aquilo, ou que se deve urgentemente fazer, tem por trás uma tentativa de ilibação histórica ao que foram os seus dez (10!!!!) anos de governação, oito deles em maioria absoluta. Cavaco anda pelo interior, e diz que o interior anda esquecido (pelos vistos, não andava quando ele era primeiro-ministro, conclui-se). Esquece-se que ele foi o pioneiro a fazê-lo. Cavaco desdobra-se a dizer o que se pode fazer, entenda-se por Sócrates, mas não fala do que podia ter feito. Um dia as biografias dirão coisas espantosas deste senhor, mas a mim não me envenenam. Nunca em tempo algum em Portugal jorraram tantos milhões da UE, á data CEE, para apoios ao desenvolvimento do país. Cavaco pegou neles e fez auto-estradas. Para que constasse no seu curriculum. Cavaco deu, mas Portugal não recebeu. Quem recebeu, e muito, foram os grandes empresários, que aproveitaram para meter ao bolso sem nunca ninguém lhes pedir contas dos dinheiros que lhes deram. Qauntos empregos criaram e para onde foi o dinheiro. Eles foram jipes, casas e casarões, latifúndios e solares. Os portugueses acharam bem, e meteram Cavaco em Belém. Cavaco agradeceu. E foi conhecer melhor a merda que fez ao país. Não fora a vitalidade de algumas forças locais no interior do país, já este estaria oco, sem miolo, sem interior, há muito tempo.

Agora, Cavaco anda a apregoar para que hajam entendimentos entre os patrões e os trabalhadores. Quem despede sem justa causa, mas por razões de reajustes devido à situção económica actual, entende-se o que está a fazer: a despedir gente que estava com vínculos estáveis às empresas para os substituirem, quando esta história da crise acabar, por trabalhadores precários, a receberem menos, para a sua engorda ser maior. E como eles já estão anafadinhos... Mas Cavaco deixa uma palavra de "incentivo": "deixo-vos a minha solidariedade, o que é pouco, mas não tenho mais para dar." Ou seja, nunca fiz nada por vós, também não é agora que vou fazer, pois quero ter outro mandato e tenho que me mexer com pinças. Para além disso, a minha laia é a dos Oliveiras e Costas, dos Dias Loureiros e dos Valentes de Oliveiras... É isto que Cavaco pretende dizer. Não tem nada na manga, nem um bocadinho de esperança para dar à pessoas. Tem tanto para lhes dar, como lhes deu durante as suas governações: uma mão cheia de nada. No entanto, teve, e tem, muito para dar aos seus ex-compinchas de governo. OH! A esses a mão estende-se como um guindaste, pronto a puxá-los das suas falcatruas. Alguém do público retorque a Cavaco: "Olhe por nós, pela classe operária, estamos a viver uma situação traumatizante", disse uma das manifestantes, pedindo que "as empresas que despedem funcionários sem razão sejam investigadas"... OH CAVACO! TU NÃO TE METAS NISSO!! Ainda ias descobrir o que os teus comparsas andam a fazer...
Assim vai o país; Cavaco com aquele sorriso (ou esgar...não...sim...é mais um esgar) patético na face, é a imagem de uma pessoa despreocupada com o seu passado, presente ou futuro. Pelo contrário, o desespero das pessoas aumenta... Ainda por cima com respostas "solidárias" e de "incentivo" como aquelas que Cavaco lhes dá... A quem ele dá bons incentivos é aos empresários. E percebe-se porquê.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

O Presidente com Raça!


Parece que o Presidente da República utilizou a expressão "dia da raça" nas comemorações do 10 de Junho.Nem queria acreditar. Dia da Raça? Será que ainda não disseram ao senhor Professor que essa expressão foi abolida do dia 10 de Junho com o advento da democracia? Bem se calhar lembrou-se dos seus tempos de escola em que aprendeu assim. Porventura um dias destes num discurso sobre transportes começa a enumerar as estações de caminho de ferro da Metrópole e das Provincias Ultramarinas...Esta Gaffe do Sr. Silva só vem reforçar a minha convicção que nem todos os políticos podem exercer o mais alto cargo da Nação. Muitos amigos meus de direita riam-se quando eu dizia que este não tinha preparação cultural para ser Presidente da República.Nota-se que só está a vontade a falar de assuntos económicos. Sobre outras questões pouco ou nada diz de relevante. O Professor Silva tem perfil para ser Ministro da Finanças ou Primeiro - Ministro e nunca para ser Presidente da República. Infelizmente o tempo tem estado a dar-me razão...

Ps: Alguns senhores pouco recomendáveis que escrevem na Blogoesfera já estão a desculpar estas afirmações afirmando que é "a extrema esquerda folclórica" que não perde oportunidades para atacar o Exmo. Senhor Presidente da Republica... Desde já refiro que não sou de extrema -esquerda e considero que Cavaco Silva devia pedir desculpa por esta afirmação infeliz.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Cavaco, o Loquaz



Assinalam-se hoje os 34 anos da Revolução de Abril, que abriu as portas à Democracia e fechou as da miséria, do analfabetismo, do atraso, da fome. Talvez as não tenha fechado com a veemência que se impunha, já que muito há ainda por fazer. Mas não há dúvida que se encerrou um vil capítulo da nossa História. Como é hábito, houve a Sessão Solene na Assembléia da República, com discursos para todos os gostos e feitios. Mas o discurso que mais me surpreendeu foi o de Cavaco. Aliás, não fui totalmente apanhado de surpresa, já que o percurso de Presidente da República deste senhor se pauta por um "tá que não tá" "vai que não vai" diz que diz mas não diz", um caminho de meias palavras, de hesitações e sobretudo de "sobre isso não tenho opinião" ou "sobre essa matéria não posso falar aqui". É o que os nossos proto comentadores políticos gostam de chamar de "magistratura de influência". Eu sou mais modesto e chamo-lhe palhaçada. Ou mesmo pântano, uma palavra que entrou no nosso vocabulário político pela mão de Guterres. Adiante. Cavaco falou de um país que ele desconhecia, porque, aliás, ele (e Sócrates) vive num mundo muito próprio; falou de um país em que, espante-se, os jovens ignoram o 25 de Abril, não sabem o que representa, o que foi, como foi. E disse-se impressionado. Mais; disse "não ser saudável que a nossa democracia despreze o seu código genético e as promessas que nele estiveram inscritas". Mas mais ainda; "num certo sentido, o 25 de Abril continua por realizar", comentou. E ainda disse outras coisas que tais, que não valem a pena estarem a ser esmiuçadas. O meu espanto é que o senhor que disse tudo isto, é o mesmíssimo senhor que esteve durante 10 (DEZ!) anos no poder, 8 (OITO!!!) deles em maioria absoluta, e queixa-se de tudo isto que se passa à sua volta como se não tivesse nunca tido nada a ver com a governação do país! Cavaco tem claras responsabilidades nisto, e não deve mandar "postas de pescada"! Deve, sim, pedir desculpa por nada ter feito sobre esta matéria no tempo de governação que teve ao seu dispôr! Mas não... Devemos é continuar a ouvir este senhor mandar estas bocas como se nunca tivesse governado o país, como se fosse uma espécie de vulto paternal da nação, de longas e alvas barbas e cabelo ao vento, de quem se devem ouvir os conselhos e esquecer o que ele fez durante 10 anos. Pois eu não tenho fraca memória. Lembro-me dos anos de 1985 a 1995 em que ele deambulou pelos corredores do Palácio de São Bento, líder de um governo autista, autoritário, descricionário. Ocorre-me perguntar-lhe para onde foram os milhões e milhões e milhões da Comunidade Económica Europeia, à data... Na Irlanda é muito óbvio para onde foram. Mas não se deve colocar tais questões ao mentor e pai da nação. Deve-se, sim, prestar-lhe vassalagem e ter por ele uma enorme reverência. Beijo-lhe a mão, Pater familias. E peço perdão por pô-lo em causa desta maneira.