quinta-feira, 26 de Março de 2009

"chachadas"!!!

Tem razão Jorge Sampaio. A nossa classe política só se preocupa com "chachadas", com o acessório e não com aquilo que é fundamental. E a nossa Comunicação Social, em vez de trazer a debate aquilo que é de facto importante abordar, só dá destaque a "futebois" e a noticias sensacionalistas, que, se analisarmos mais profundamente, pouco fundamento têm...Nos últimos dias só tem dado destaque ao penalti... Que triste país este...

quarta-feira, 25 de Março de 2009

Viva o Odorico!

Este sim um grande estadista!Portugal precisava de um homem como ele!!

Um Desabafo!!

Bem...Hoje vou falar de um assunto que não costumo falar. Vou falar de futebol. Quero apenas desabafar com os leitores deste blogue algo que já me anda a irritar: Será que não há outro assunto para falar neste pais que não seja a final da Taça da Liga e o erro do Árbitro Lucidio Batista? Estou farto de tanta "conversa de Xáxa" que não leva a lado nenhum...

Devo dizer, para aqueles que ainda não sabem, que sou sportinguista. Fiquei, como é evidente, triste e revoltado com o erro do arbitro que deu a taça ao Benfica. Mas a vida continua. Tudo não passa de um jogo de futebol.

Lucidio Bastista já admitiu o seu erro.Isso a mim basta-me. Errar é humano. É incompreensivel que o homem receba ameaças de morte... Mas estamos onde?Está tudo doido?

Custa-me que haja pessoas que se preocupem mais com o futebol do que com outras coisas mais importantes.Muito destas têm vidas miseráveis. São exploradas e maltradas no trabalho. Mas o que lhes interessa isso? O que interessa é que o seu clube ganhe. O sacana não é o patrão que os explora, mas sim o árbitro que rouba o seu clube! Que importa que o Portugal e o Mundo estejam em crise profunda e que estejam ou venham a estar desempregados? Se o seu clube ganhar o campeonato, tudo o resto é secundário...

De facto, não é por acaso, que continuamos a ser um dos paises mais atrasados da Europa. Não, caro amigo Renato, a culpa não é só dos Governos PS e PSD, como gostas constantemente de referir. A culpa também é das pessoas que com este tipo de mentalidade tacanha, não ajudam nada a que Portugal venha a ser um dia um país verdadeiramente europeu...

terça-feira, 24 de Março de 2009

Vanitas vanitatum omnia vanitas

A entrada anterior leva-me a falar de outra coisa que me deixa perfeitamente perplexo. Isto já ocorre há alguns anos a esta parte. Agora virou moda os Governos (ora é PS, ora é PSD) e das Câmaras Municipais fazerem enormes outdoors e cartazes (aos milhares) para anunciar obra feita, e obra a fazer. Ou a ser feita. O Programa Novas Oportunidades é um bom exemplo disso. Lá para baixo para o Terreiro do Paço, ou Praça do Comércio, como preferirem, António Costa decidiu pôr umas tarjas enormes em volta da obra a dizer que o Tejo não podia esperar mais. E não, tem razão. Pelo menos Lisboa fará a sua parte na reabilitação de um dos rios e dos estuários mais lindos do mundo. O que me deixa perplexo não é nada disto. Algumas medidas quer do Governo quer da Câmara Municipal de Lisboa, deixa-me satisfeito. Sou rezingão, mas não sou parvo. O que me deixa enojado é o facto de hoje em dia se anunciarem obras ou programas ou outros de uma forma tão marketinguizada, tão cheia de basófia, como se não fosse obrigação dos que os eleitores elegem fazer essas coisas... Se já à muito se reclamava uma oportunidade dos que se ficaram pelo ensino básico ou secundário há muitos anos para obterem algo mais ao nível da sua formação pessoal e profissional, isso era uma obrigação do Governo. Não um bónus. Se há muito se reclamava pela retirada dos esgotos (um verdadeiro nojo) de fronte da Praça do Comércio, ou Terreiro do Paço, como preferirem, isso era uma obrigação da Câmara, não um bónus. O que eu retiro desta mediatização da obra feita pelos Governos e pelas Câmaras, é que "eu não tenho nada para apresentar, mas olhem, fiz isto; ou estou a fazer". Sinceramente, creio que os Governos tem determinadas obrigações. E uma delas, é melhorar as nossas condições de vida. Isso não tem que ser basofiado. Tem que ser feito. Ponto. Estes outdoors e estes cartazes todos dizem-nos que a basófia e a vã glória é mais que muita. "Estamos todos inchados por ter feito isto. Falta o resto, mas nós fizemos isto. Vejam esta beleza de cartazes... UAU! Fomos nós que fizemos isto!". Francamente, creio ser esta a mensagem que tentam passar. Percebo perfeitamente o que querem fazer. Querem fazer do poder uma campanha permanente, contando-nos tudo o que fazem, vangloriando-se como quem não tinha que o fazer, mas fez. Isto é errado. É mesquinho. É estúpido. Os órgãos nacionais são eleitos para fazer. E fazer bem. E não têm que anunciar aos sete ventos o que vão fazer ou o que estão a fazer. A isso chama-se vaidade.

Mais aldrabice, mais eleitoralismo



Desta feita foi ao Centro de Serviços Partilhados da multinacional Solvay (claro...haveria de ser num bairro social qualquer...), das áreas da energia química, farmacêutica e plásticos, em Carnaxide, dizer que, passo a citar, "os 25 mil estágios profissionais para jovens existentes em 2008 serão aumentados para 40 mil em 2009". Claro que sim, aldrab..., perdão, Sócrates. Claro que sim. Como foram introduzidos os 150 mil empregos, como foram reduzidos os impostos, como foi alterado o Código do Trabalho do Bagão, etc.. Claro, Sócrates. Claríssimo, até. Para quem quer ver, obviamente. Há aqueles, também, que acreditam em tudo o que ouvem, desde que desejem muito ouvir aquilo.

Continuo a adorar ouvir como tudo o que é mau é culpa do que se passa a nível internacional, mas tudo o que de bom se passa é fruto da coragem, visão, talento, engenho e arte do Governo português!

Letargia absoluta

Para mim, a fraca adesão a este protesto tem, repito, para mim, uma componente sociológica mais profunda. Todos os dias oiço colegas meus, deslocados ou não, dizer que mal conseguem pagar as propinas. Às vezes nem conseguem mesmo. E têm que implorar para pagar a prestações. E não protestam. Porquê? Aqui reside a tal componente sociológica, grave, de que falava. A maioria dos jovens de hoje estão-se borrifando para a política. E não só. Para o próprio funcionamento da democracia, o que é mais grave ainda. Alienaram-nos de tal maneira, que o cérebro deles já pouco se move sem ser para o marranço, para jogar às cartas e sair à noite. E pouco mais. Impingiram-lhes o "caminho sagrado da prosperidade" e saem como carneiros das faculdades, sem capacidade reivindicativa. Há colegas meus que se queixam todos os dias por não terem dinheiro para as propinas, pelas condições das suas faculdades, por não terem um apoio da Acção Social forte. Julgam que foram ou vão manifestar-se? Dizem que não vale a pena... A questão é quem lhes incutiu este derrotismo, esta antítese da luta democrática. Eu sei. Pelo menos, conjecturo...
Esta letargia que se apoderou desta gente, não só dos estudantes, pode, um dia, sair-nos cara. Esta não involvência em questões essenciais da nossa sociedade, da nossa cultura, põe em causa o futuro e a nossa capacidade de reagir às situações adversas. Permite a outros decidirem por nós, porque lhes entregamos essa capacidade de decisão de bandeja. A democracia faz-se por todos. Não só pelas cúpulas do poder.

segunda-feira, 23 de Março de 2009

E a saga continua...





Confesso que esta questão sobre a eleição do novo Provedor de Justiça não me suscita um interesse assim tão grande. E não me suscita esse tal interesse tão somente porque acho que é um cargo que não tem tido grande relevância na vida política e social portuguesa, para não dizer nenhuma. Desengane-me e contra-argumente quem saiba. Não tenho grande impressão do cargo, confesso. Porém, quero afirmar que poderia ser um cargo da maior importância para o país, não fosse o seu relativo apagamento da vida pública, quer na discussão política, quer na nossa comunicação social. Mas, hellas, não o é.



O que salta à vista de todo este processo é a intransigência de ambos os partidos do centrão em aceitarem as propostas um do outro. Confesso que quer Jorge Miranda quer Laborinho Lúcio não seriam as minhas escolhas, mas não posso dizer que os nomes sejam descabidos. Todo este processo está é a ser muito mal conduzido, com os nomes a virem para a praça pública e andarem a ser joguetes, duas pessoas conceituadas e respeitáveis, do centrão bicéfalo (e acéfalo, ao mesmo tempo) que temos. Eu diria que o problema é deles (de ambos os "candidatos"), mas creio que a sua sujeição a esta novela só os fragilizará na condução do cargo, se algum dos dois ainda estiver disponível -e com vontade- para o mesmo...



Só não há discussões quando se trata de mandar ex-governantes e apaniguados de ambos os partidos para as direcções das empresas públicas; aí o acordo é tácito. Ora pões tu um, ora ponho eu outro. E assim enchem os bolsos dos seus boys. Esses sim, gente de respeitabilidade duvidosa... Como aquela besta daquela figura sinistra que é Armando Vara... Entre outros... Muitos...



Este processo tem que terminar quanto antes. Não pela graça que eu ache a esta degladiação pública (e patética) dos dirigentes dos dois partidos do centrão, porque até me rio com vontade, mas pela degradação pública da imagem de duas pessoas que merecem mais respeito.

Vergonha no Tibete

Peço as minhas maiores desculpas aos leitores que este blog tiver pela pouca e espaçada produção que tem vindo a haver pela parte do mesmo. Isto deve-se ao facto de trabalhar e estudar ao mesmo tempo e nem sempre poder vir ao mesmo com a frequência que desejava (muito). Vai-se fazendo o que se pode. Ao contrário de outros bloggers, cuja a frequência de entradas é tão grande que chego a ter dúvidas da sua real produção laboral. Basta ver no jornal Público Online para se avaliar tal facto, através dos pings efectuados no Twingly. Mas enfim... Adiante.
Escrevo esta entrada para divulgar, tal como vem no Público Online, hoje, a vergonha que veio a lume sobre o que se passou no território ocupado e oprimido do Tibete, fez agora um ano. A repressão brutal, violenta, sangrenta, assassina de uma nação onde os direitos humanos são uma miragem, onde a liberdade política está decepada, onde os media são regidos pelo Partido Comunista Chinês. Esta vergonha, tantas vezes perpetrada e tantas vezes silenciada pela China e tantas vezes ignorada pelos nossos "grandes" líderes mundiais, não pode continuar. Que se plantem umas jazidas de petróleo por lá para os cérebros inactivos dos nossos "grandes" líderes mundiais porem dois ou três neurónios a funcionar! ENA PÁ!! DOIS OU TRÊS!!, dirão alguns. Pois, é certo que posso estar a cometer um exagero infundado, mas creio que pelo menos um terão. Senão, como manteriam as funções vitais dos seus corpos?

A vergonha continuará até os nossos "grandes" líderes mundiais entenderem que as questões económicas são mais importantes que o próprio facto da nossa existência humana. Isto tem que cessar... Estas imagens têm que pertencer a um passado enterrado. Urgentemente.


LIBERTEM O TIBETE!!!!

terça-feira, 10 de Março de 2009

Foram os Governos PS e PSD que venderam a sáude

As clínicas de sáude privadas andam muito incomodadas por receberem a ralé nos seus limpos consultórios. Para quem cause espanto disto da saúde ser um negócio, há muito que certas forças políticas vinham alertando para o facto da privatização da saúde ser um mau negócio para os portugueses. Bom, quando digo portugueses, digo a esmagadora maioria... Porém, há para aí uns galifões anafados a quem a crise passa ao lado com uma velocidade estonteante... A esses, até podiam operá-los com untensílios de ouro que não pestanejavam na hora de pagar... Mas a grande maioria da população, necessita de um BOM sistema de saúde público para todos, gratuito. O que se está a passar agora com esta história da reprodução medicamente assistida, não é nada que essas mesmas forças políticas não tenham também alertado. Sendo que os sucessivos Governos PS ou PSD venderam a nossa saúde aos grandes grupos económicos, com quem fizeram alguns acordos, recorrem agora a eles por falta de meios materiais (que, também, os próprios Governos criaram). Sendo assim, estão a colher o que semearam. Diria que é bem feito, não fora a gravidade de se estar a brincar com um tema tão delicado como a sáude. O Governos que nos venderam o futuro, são conhecidos de todos. Desde a educação até à saúde, passando pelo emprego e outros items, venderam-nos com toda a pompa e circunstância. Agora, as clínicas privadas deixam-lhes um valente: LIXEM-SE!! para que possam ver a merda onde nos meteram.
Do outro lado da barricada estão os "senhores" do capital, que apenas olham o lucro, doa a quem doer. Bom, e neste caso da saúde, é mesmo "doa"...

A demagogia está a pssar por aqui

A graciosa Manuela Ferreira Leite anda a desdobrar-se em discursos e palavreados (seguindo, talvez, o conselho que Marcelo Rebelo de Sousa lhe deu para sair mais da toca) para tentar inverter o sentido das sondagens que grassam em ano de eleições várias. A Manelinha sabe que tem que fazer oposição, e pouco lhe interessa o como. É preciso é que a finalidade seja obtida com pompa. E títulos de noticiários. Volta, desta feita, a colocar o ênfase sobre as obras públicas que o Governo já anunciou. Mal ou bem, o Governo tenta criar algumas soluções para a retoma da oferta de emprego, e as obras públicas são um bom estímulo. Pode, enfim, contestar-se se o que é preciso é um aeroporto ou o TGV, ou mais escolas públicas, mais hospitais, mais centros de saúde, mais centros de apoio aos idosos, mais habitação para jovens, etc.. Para mim é claro que as prioridades deviam ser as do segundo grupo. Ou seja, concordo com o Governo de que é preciso investimento público nesta altura de crise, mas discordo das prioridades impostas por este. Já com Manuela Ferreira Leite, discordo em tudo. A Nelinha faz-me lembrar um determinado senhor que estava na bancada da oposição e desancava contra o governo de Durão/Portas e, depois, o de Santana/Portas por causa do Código de Trabalho e dos ataques à função pública, entre outras coisas... Vejam o que esse rapazinho anda a fazer agora... Ao que tudo indica, a Manelinha também anda a fazer para aí demagogia aos molhos. Só espero que os seus acessores tenham trazido os saquinhos dos dejectos para apanhar os pedaços de demagogia para não sujarem o chão por onde ela passa...

segunda-feira, 9 de Março de 2009

Cavaco, aquela máquina (parada e enferrujada)

Cavaco anda por aí há três anos a passear por um país que, ao ouvirmos o que ele diz sobre Portugal, devia desconhecer profundamente. Anda por aí a apregoar aos ventos, palavrinhas bonitas e de circunstância vindas de uma figura que betonizou o país, com alguns sucessos mas muitos insucessos também, que desprezou o cidadão, que desprezou o país profundo, como agora se verifica. E é isso o que mais me enoja. Cavaco anda a aproveitar, e acho muito bem que o faça, o seu mandato de Presidente da República para conhecer melhor o nosso país, ir para fora, cá dentro. E faz muito bem, pois o nosso país tem recantos de uma grande poesia para descobrir. Mas essa hipocrisia que encerra o andar por aí a dizer que se podia ter feito isto ou aquilo, ou que se deve urgentemente fazer, tem por trás uma tentativa de ilibação histórica ao que foram os seus dez (10!!!!) anos de governação, oito deles em maioria absoluta. Cavaco anda pelo interior, e diz que o interior anda esquecido (pelos vistos, não andava quando ele era primeiro-ministro, conclui-se). Esquece-se que ele foi o pioneiro a fazê-lo. Cavaco desdobra-se a dizer o que se pode fazer, entenda-se por Sócrates, mas não fala do que podia ter feito. Um dia as biografias dirão coisas espantosas deste senhor, mas a mim não me envenenam. Nunca em tempo algum em Portugal jorraram tantos milhões da UE, á data CEE, para apoios ao desenvolvimento do país. Cavaco pegou neles e fez auto-estradas. Para que constasse no seu curriculum. Cavaco deu, mas Portugal não recebeu. Quem recebeu, e muito, foram os grandes empresários, que aproveitaram para meter ao bolso sem nunca ninguém lhes pedir contas dos dinheiros que lhes deram. Qauntos empregos criaram e para onde foi o dinheiro. Eles foram jipes, casas e casarões, latifúndios e solares. Os portugueses acharam bem, e meteram Cavaco em Belém. Cavaco agradeceu. E foi conhecer melhor a merda que fez ao país. Não fora a vitalidade de algumas forças locais no interior do país, já este estaria oco, sem miolo, sem interior, há muito tempo.

Agora, Cavaco anda a apregoar para que hajam entendimentos entre os patrões e os trabalhadores. Quem despede sem justa causa, mas por razões de reajustes devido à situção económica actual, entende-se o que está a fazer: a despedir gente que estava com vínculos estáveis às empresas para os substituirem, quando esta história da crise acabar, por trabalhadores precários, a receberem menos, para a sua engorda ser maior. E como eles já estão anafadinhos... Mas Cavaco deixa uma palavra de "incentivo": "deixo-vos a minha solidariedade, o que é pouco, mas não tenho mais para dar." Ou seja, nunca fiz nada por vós, também não é agora que vou fazer, pois quero ter outro mandato e tenho que me mexer com pinças. Para além disso, a minha laia é a dos Oliveiras e Costas, dos Dias Loureiros e dos Valentes de Oliveiras... É isto que Cavaco pretende dizer. Não tem nada na manga, nem um bocadinho de esperança para dar à pessoas. Tem tanto para lhes dar, como lhes deu durante as suas governações: uma mão cheia de nada. No entanto, teve, e tem, muito para dar aos seus ex-compinchas de governo. OH! A esses a mão estende-se como um guindaste, pronto a puxá-los das suas falcatruas. Alguém do público retorque a Cavaco: "Olhe por nós, pela classe operária, estamos a viver uma situação traumatizante", disse uma das manifestantes, pedindo que "as empresas que despedem funcionários sem razão sejam investigadas"... OH CAVACO! TU NÃO TE METAS NISSO!! Ainda ias descobrir o que os teus comparsas andam a fazer...
Assim vai o país; Cavaco com aquele sorriso (ou esgar...não...sim...é mais um esgar) patético na face, é a imagem de uma pessoa despreocupada com o seu passado, presente ou futuro. Pelo contrário, o desespero das pessoas aumenta... Ainda por cima com respostas "solidárias" e de "incentivo" como aquelas que Cavaco lhes dá... A quem ele dá bons incentivos é aos empresários. E percebe-se porquê.

Carolina vs. Papa

A macacada continua. Enquanto o senhor do clube regional do Porto se pavoneia sem tentar provar a sua inocência, mas sim tentando questiúnculas processuais que o ilibem, Carolina Salgado, por quem não meto as mãos no fogo, nem sequer num tacho de água morna, é insultada. E insultada porquê? Por causa do seu passado menos correcto ao luz desta sociedade extremamente conservadora? Não. Por muito que pudesse ser, não é por essa razão. Ela é sistematicamente insultada porque mexeu com o Papa, o homem forte da corrupção em Portugal, o homem por trás de "quinhentinhos", de guardas-abéis, o homem da piada fácil e ordinária e de quem os senhores submissos da comunicação social adoram rir. Esse senhor nunca será insultado, porque representa o medo, o feudalismo, o crime. Quem são insultados são os que se metem com ele. É assim com o personagem sinistro que é Carolina Salgado, mas seria assim com qualquer outro que tentasse algo contra o Papa. Parece que as condenações públicas e o Santo Ofício regressaram em força. Não só neste caso, mas em outros bem conhecidos, ou menos. Parece que se querem queimar pessoas na fogueira, como se fez outrora. Vai-se para a porta de um tribunal insultar-se e caluniar-se os outros. Com ou sem razão, essas pessoas são a vergonha dos avanços civilizacionais, são da mais baixa rês humana. Só lhes falta os ancinhos, as gadanhas, as enxadas e um archote na mão. Assim vai Portugal, Estado de Direito..., mas pouco.

sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

O fantasma da Imigração

Em qualquer lugar, de qualquer cidade, nos deparamos com mentes que, não ostentando cabeças rapadas, argumentam da forma mais vil e sem consistência, argumentos fascistas, xenófobos e racistas, quando é óbvio o crescimento de Portugal desde meados dos anos 1990, baseado na mão-de-obra imigrante. A partir do momento que se pensou em construir, em catadupa, como se de cogumelos se tratassem, prédios e obras públicas e privadas, a mão-de-obra imigrante foi a salvaguarda para o enriquecimento dos grandes senhores deste país, em particular, e da Europa, em geral. Basta que se pesquise devidamente estes factos, seja no INE, em observatórios de investigação, artigos na net, etc, que esta realidade se torna tão clara como 1+1=2. Segundo dados do ACIDI, a mão de obra imigrante, em tempo de crise e de despedimentos colectivos, é a primeira a ser dispensada; outra realidade é também o facto de, os imigrantes em Portugal, representarem metade daqueles que, sendo portugueses se encontram no estrangeiro a trabalhar, e que têm as mesmas aspirações que os que chegam ao nosso país.
Creio que a comunicação social devia ter um papel mais imparcial e justo na informação que é passada às populações. A verdade é que raramente pomos em causa aquilo que o jornalista informa, principalmente quando falamos em meios televisivos. Nem sempre a notícia é tal e qual como está a ser dita. Só para exemplificar, quando há uns anos se noticiou o “arrastão”, ouviu-se falar em 500 indivíduos negros, numa praia de Carcavelos, a espalhar o terror. Quando, um ou dois dias depois, entidades de segurança pública vieram abordar o assunto, informando que não se tratava de 500 mas de 15 ninguém deu importância - quando falo no assunto com outras pessoas, não encontro ninguém que se recorde desta segunda notícia. As generalizações de que qualquer ser humano se serve para categorizar o seu quotidiano, são grandemente influenciadas por situações semelhantes a esta. É mais fácil justificar um acto violento e criminoso com base no “estes tipos não valem nada e deviam ir para a terra deles”, do que pensar em desmistificar estas coisas e pensar que todas as manhas, centenas de mulheres e homens imigrantes acordam para servir o país por um ordenado tão miserável que muitos portugueses são incapazes de aceitar. Há pessoas boas e más em qualquer lado – existem indivíduos de palitó, sentados nas suas secretarias a administrar o país e as suas empresas, que nos roubam directamente do bolso e nós vemos impávidos e serenos. Esses são tão ladrões, criminosos e vigaristas como qualquer jovem delinquente que cresceu num bairro social com baratas a passearem na cozinha, casas essas facultadas pelo Estado mas onde os senhores governadores não gostariam de viver (como qualquer outro cidadão que saiba o que é viver em situações condignas)? Creio que não, são bem piores - a diferença é que têm um sistema que os protege e permite que sejam corruptos, debaixo das nossas barbas.

quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

Ensaios

Sorvi mais um golo daquele licor amargo que me arde no estômago. Era como se milhares de espinhos me ferissem as entranhas. À minha volta uma imensidão de gente envolta num fumo e numa luz amena se perdia em conversas de bar enquanto davam os seus goles nas bebidas corrosivas. Eu perdia-me na minha. Sinto-me anestesiado e gosto. Sinto que pairo no ar, sentado naquele banco, e toco as estrelas. Entro numa galáxia e o escuro que me envolve adormece-me. Sou acordado pelo empregado do bar, com um berro. Já me conhece e sabe que tenho esse hábito, o de me perder. “Não quero ter de te levar a casa outra vez. Não te sirvo mais nenhum copo!”, disse, mas não liguei, ainda tinha o meu licor a meio. Vi que as paredes giravam e me embalavam de volta à galáxia, perto das estrelas. Senti-me pequeno. Dei mais um trago daquele licor que corrói e senti-me aquecido nos braços dela. Toquei no seu cabelo loiro e nos seus caracóis soltos e no peito da minha mãe encontrei-me reconfortado. Cantava ao meu ouvido a música de berço que já não me lembrava. Disse-me “Está tudo bem” e acreditei. Acho que estive nos seus braços longas horas, adormecidas. Senti o seu calor e a mão áspera do trabalho que acarinhava o meu tormento e o sossegava. Acordei contrariado, pela voz que me expulsava, mas ainda sentia aquele cheiro, aquele toque aquele sussurro.
O frio da rua gelou-me os ossos. Cambaleei até à esquina e apoiei-me no poste que iluminava a rua. Conseguiria chegar até casa? Faltavam alguns quarteirões…
Um pouco mais à frente vi um homem encolhido pelo frio, nas escadas de um prédio. Cambaleando, procurei uma moeda no meu bolso e estendi-lha e prossegui o meu caminho. Deparei-me com um percurso longo mas sabia que ele não demorava mais de 10m a ser percorrido. Parei a meio e ergui o pescoço para o céu que me cobria. Queria voltar e pairar mas o gelo que sentia não me deixava perder. Apoiei-me na parede e tacteei as ruas até casa. Empurrei a porta sem fechadura e subi as escadas de joelhos até à porta que me introduzia naquilo a que eu chamava casa. Sem forças e zonzo, tirei os sapatos e deitei-me na cama fria e vazia. O escuro do quarto acomodou-me à minha solidão costumeira e gemi por isso. Estava só, mais uma vez. Peguei no frasco que deixava todas as noites debaixo da almofada e bebi tudo. Sabia que ia voltar a pairar nas estrelas. E lá estava ela, dizendo-me ao ouvido “O amor sussurra”.


Por Clara Coelho

Em memória de Al Berto

Deixo aqui um link para aceder ao integral de um poema, "TRÊS CARTAS DA MEMÓRIA DAS ÍNDIAS". Na altura, há alguns anos, era a segunda vez que lia Al Berto, e confirmei, mais uma vez, que este era uma poeta incomparável, tão esquecido nos nossos dias. Temos aqui uma mente brilhante, uma escrita viciante. Al Berto deixou-nos em 1997.

"O Corvo" de Edgar Allan Poe - Tradução de Fernando Pessoa

O CORVO

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste, Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais, E já quase adormecia, ouvi o que parecia O som de alguém que batia levemente a meus umbrais «Uma visita», eu me disse, «está batendo a meus umbrais. É só isso e nada mais.» Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro, E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais. Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada P'ra esquecer (em vão) a amada, hoje entre hostes celestiais — Essa cujo nome sabem as hostes celestiais, Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais! Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo, «É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais; Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais. É só isso e nada mais».
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante, «Senhor», eu disse, «ou senhora, decerto me desculpais; Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo, Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais, Que mal ouvi...» E abri largos, franquendo-os, meus umbrais. Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando, Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais. Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita, E a única palavra dita foi um nome cheio de ais — Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais. Isto só e nada mais.
Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo, Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais. «Por certo», disse eu, «aquela bulha é na minha janela. Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.» Meu coração se distraía pesquisando estes sinais. «É o vento, e nada mais.»
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça, Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais. Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento, Mas com ar solene e lento pousou sobre meus umbrais, Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais. Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura Com o solene decoro de seus ares rituais. «Tens o aspecto tosquiado», disse eu, «mas de nobre e ousado, Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais! Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.» Disse-me o corvo, «Nunca mais».
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro, Inda que pouco sentido tivessem palavras tais. Mas deve ser concedido que ninguém terá havido Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais, Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais, Com o nome «Nunca mais».
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto, Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais. Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento Perdido, murmurei lento, «Amigo, sonhos — mortais Todos — todos lá se foram. Amanhã também te vais». Disse o corvo, «Nunca mais».
A alma súbito movida por frase tão bem cabida, «Por certo», disse eu, «são estas vozes usuais. Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais, E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais Era este «Nunca mais».
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura, Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais; E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais, Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais, Com aquele «Nunca mais».
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo À ave que na minha alma cravava os olhos fatais, Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais, Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais, Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-me então o ar mais denso, como cheio dum incenso Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais. «Maldito!», a mim disse, «deu-te Deus, por anjos concedeu-te O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais, O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!» Disse o corvo, «Nunca mais».
«Profeta», disse eu, «profeta — ou demónio ou ave preta! Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais, Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais, Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!» Disse o corvo, «Nunca mais».
«Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!, eu disse. «Parte! Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais! Não deixes pena que ateste a mentira que disseste! Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!» Disse o corvo, «Nunca mais».
E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais. Seu olhar tem a medonha dor de um demónio que sonha, E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais, E a minh'alma dessa sombra, que no chão há mais e mais, Libertar-se-á... nunca mais!

quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

O Betinhos Andam Aí...


A Juventude "Social Democrata"(?) decidiu lançar uma campanha contra o Governo do Partido "Socialista" e de José Sócrates. É difícil discernir onde começa a hipocrisia e o cinismo... Uma juventude partidária de um partido que, como o PS, não tem feito outra coisa senão aldrabar e sonegar as esperanças aos portugueses, vem agora com uma campanha nojenta a atacar o que eles próprios fazem. Haja decoro... Haja honestidade...

Capitalistices...


Não posso negar que fico com um ligeiro esgar de satisfação no rosto quando oiço capitalistas acérrimos virem-se com frases como esta... O falhanço total do capitalismo está à vista. Mas penso, e como toda gente faz profecias hoje em dia, sobretudo os economistas mais encostados à direita, que diziam que isto ia ser um mar de rosas, há uns anos, dizia eu, então, que penso, sinceramente, que o pior ainda está para vir. Com a confluência de todos estes factores como a precariedade (ninguém me tira da cabeça que estes despedimentos de efectivos só servem para contratar, daqui a meses ou um ano, trabalhadores com vínculos precários), o desemprego massivo, o descontentamento popular a radicalizar-se, as alterações climáticas que vão ter implicação no nosso dia não daqui a muito tempo, a concentração de fortunas nas mãos de poucos, e outros factores mais, daqui a alguns tempos a situação tornar-se-á insustentável. Para já, já vamos levando com Basílios Hortas a dizerem que não sabem o que hão-de fazer. Quando toca a extorquir aos trabalhadores, isso está na ponta língua. Meus caros, o tempo resolve tudo. Para melhor ou para pior. Mas o seu curso é inexorável, tornando as coisas futuras inevitáveis. Repito, melhores ou piores. Mas isso compete-nos a nós...

terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Quer PS ou PSD?

Acho que o Pedro Passos Coelho quer ser Primeiro-Ministro... Ouvi dizer por aí... Ah!!, foi ontem na entrevista ao Mário Crespo! Bom, mas que dizer? O tipo, engravatado, claro, cunho de todos aqueles que são honestos, lá veio dizer que está disponível para sê-lo. E há malta que vai atrás disto... Para quê, pergunto eu? Para mudar as moscas e a merda pemanecer a mesma? Eu bem me lembro que bem falava o Sócrates tempos antes de ir para ao cargo de Primeiro-Ministro... Que bem que ele soava... Mas os interesses destes senhores é claro, e nada vai mudar se PS ou PSD forem Governo. É pena as pessoas não se mentalizarem disto... Mas democracia é democracia, e há que respeitar...

Lá Vai a Fatinha, Com a Saia Côr do Mar!

Apesar de estar em julgamento há demasiado tempo, diga-se, a nossa querida Fatinha continua a gamar os cofres da Câmara de Felgueiras para gáudio de todos aqueles que adoram a macacada e continuam a votar em macaquinhos para exercer o poder em Portugal. O Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República veio hoje a terreiro dizer que, cito, "o eleito local apenas poderá exigir o pagamento das despesas [com processos judiciais] após a decisão final" e que "os pagamentos feitos noutras circunstâncias são ilegais, pelo que deve ser exigida a devolução das respectivas quantias". Entretanto o Público acrescenta que "um inquérito está já a correr no Ministério Público." Aguardamos com lágrimas nos olhos (de tanto rir, entenda-se) o que este inquérito e este julgamento vão dar.
P.S. - Uma última palavra para os felgueirenses; foram vocês que pediram uma Fatinha? Aturem-na!